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Criança engoliu bateria? Ingerir mel pode ajudar

Os minutos gastos para chegar até o hospital e retirar a bateria podem causar uma lesão grave no esôfago e, segundo estudos científicos, o mel funciona como um protetor deste tecido, reduzindo os danos.

Elas são circulares, pequenas, brilhantes e estão cada vez mais presentes nos brinquedos infantis. Um chamariz e tanto para que as crianças pequenas levem o objeto à boca. Em poucos minutos, a bateria do tipo botão, quando é ingerida, reage com a saliva e o tecido do esôfago, criando uma solução alcalina, que vai corroendo o tecido do órgão. Em algums horas, é possível que o desfecho seja fatal. Assim, o intervalo entre a ingestão e a remoção da peça do organismo é um momento crítico para agir – e é aí que pode entrar um alimento simples, que quase todo mundo costuma ter em casa: o mel. Pelo menos, é o que sugerem alguns estudos recentes.

Nos Estados Unidos cerca de 2.500 crianças morrem ao ano justamente por engolir esse tipo de objeto, o que representa um “aumento de mais de 12 vezes nos desfechos fatais na última década, em comparação com a década anterior”, diz o otorrinolaringologista pediátrico no Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP), Ian N. Jacobs, MD, autor principal de uma pesquisa recente, conduzida por pesquisadores da Universidade de Filadélfia, apresentado no último Congresso de Otorrinopediatria, em abril deste ano, que testou os efeitos do mel como protetor nesses casos.

O estudo sugere, com base nos resultados obtidos por meio de animais de laboratório, que o mel tem a capacidade de reduzir significativamente a lesão esofágica e, consequentemente, a mortalidade causada pela ingestão de baterias. Para chegar à conclusão, a equipe teve o desafio de encontrar uma intervenção bem-sucedida e que pudesse ser feita em casa, pelos cuidadores, logo que perceberem que a criança engoliu por acidente o objeto. Alguns líquidos como sucos, refrigerantes e bebidas esportivas foram usados durante os experimentos, a fim de saber se eles poderiam criar uma barreira protetora entre o tecido e a bateria, neutralizando os efeitos nocivos de sua alcalinidade. “O mel foi o alimento de uso doméstico que mais se mostrou protetor contra a lesão, tornando-as mais superficiais. O estudo foi bem visto entre a classe médica e até ganhou prêmio”, conta a otorrinolaringologista pediátrica Saramira Bohadana, especialista em vias aéreas, do Hospital Infantil Sabará (SP), que esteve no congresso e assistiu à apresentação do trabalho.

A médica conta que a ingestão de baterias também é muito frequente no meio pediátrico no Brasil, na opinião dela “um problema de saúde pública muito sério”. Além de perfurar o esôfago, a bateria também pode causar lesões graves na mucosa nasal, caso seja colocada no nariz.

“As descobertas serão colocadas imediatamente na prática clínica para os casos de ingestão de baterias botão”, afirma a otorrinolaringologista pediátrica Kris R. Jatana, coautora do estudo norte-americano.

Impasse?

Um dos impeditivos para a ingestão do mel por crianças abaixo de um ano de vida é o risco de botulismo que o alimento pode causar. A gastroenterologista e nutróloga Jocemara Gurmini, do Hospital Pequeno Príncipe (PR) ressaltou que, apesar de ter bons resultados, o estudo é experimental. “A retirada de pilhas e baterias, pela agressividade que causa no organismo, é uma emergência endoscópica. Por isso, a criança deve ser encaminhada a um serviço de endoscopia imediatamente”. A otorrinolaringologista pediátrica Saramira, que tem experiência na remoção de objetos estranhos, reconhece que o risco existe e é um empecilho para o uso do mel. “Mas vemos que é por pouco tempo, durante o trajeto da criança para o hospital, a fim de evitar uma complicação muito grave, que é a perfuração do esôfago e estômago que podem levar a óbito”, explica. O ideal é contatar imediatamente o pediatra do seu filho, para que ele analise o caso e oriente a família sobre como agir.

De olhos bem abertos

Ao ingerir uma bateria do tipo botão, a criança pode apresentar sintomas de dor de garganta, tosse, febre, dificuldade em engolir ou respiração com ruídos. É preciso correr contra o relógio porque, quanto mais o tempo passa, mais sérias as complicações se tornam, com as vias aéreas e os vasos sanguíneos podendo ser afetados. Por isso, o ideal mesmo é guardar sempre os objetos que levam esse e outros tipos de pilhas e baterias longe do alcance das crianças. Certifique-se de que o compartimento de acesso a eles só possa ser aberto com uma ferramenta específica, como a chave de fenda.

Um vídeo feito pela emissora britânica BBC, mostra o estrago que uma bateria botão pode fazer no esôfago em poucos minutos: Experimento mostra estrago que bateria pode fazer ao ser engolida por criança

Revista Crescer (https://revistacrescer.globo.com/Bebes/Seguranca/noticia/2018/07/crianca-engoliu-bateria-ingerir-mel-pode-ajudar.html)

Cirurgia Complexa de Traqueia

A cirurgia complexa de traqueia em crianças e recém-nascidos é um conjunto de procedimentos cirúrgicos altamente especializados voltados para o tratamento de anomalias congênitas, lesões, ou doenças adquiridas que afetam a traqueia, a principal via aérea entre a laringe e os pulmões.

Essas cirurgias são indicadas para condições como estenose traqueal (estreitamento da traqueia), traqueomalácia (fraqueza das paredes traqueais), fístulas traqueoesofágicas (comunicação anômala entre a traqueia e o esôfago), e compressões externas causadas por anomalias vasculares, como anéis vasculares.

Devido à importância da traqueia na respiração, essas cirurgias exigem precisão extrema e são geralmente realizadas em centros médicos especializados, com suporte avançado de cuidados intensivos.

Os procedimentos podem variar desde ressecções de segmentos da traqueia, seguidas de reconexão das extremidades saudáveis (anastomose), até reparos mais complexos como laringotraqueoplastias, que envolvem a reconstrução da traqueia e da laringe usando enxertos.

Em casos onde a traqueia é comprimida por estruturas vasculares anômalas, como no arco aórtico duplo, técnicas como aortopexia (fixação da aorta ao esterno) são realizadas para aliviar a compressão.

Em situações de obstrução severa ou ventilação prolongada, uma traqueostomia pode ser realizada para garantir a passagem de ar.

A complexidade dessas cirurgias requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo especialistas experientes e equipes de cuidados intensivos pediátricos, dada a fragilidade e os riscos associados ao tratamento em pacientes tão jovens.

Rinossinusites

Rinossinusites

Infecção dos seios da face e fossas nasais, caracterizada por sintomas de obstrução nasal, secreção nas narinas ou na garganta de aspecto mucopurulento, tosse noturna. Dor de cabeça nem sempre está presente, mas geralmente apresenta perda de olfato. Pode ser aguda ou crônica se os sintomas persistirem por mais de 3 meses seguidos.

Rinossinusites de repetição: muitas vezes, os quadros de rinossinusite crônica se confundem com as rinossinusites de repetição, em que as crises acabam sendo tão frequentes que se justapõem, dando impressão de serem contínuas. O diagnóstico correto é fundamental para evitar exames e procedimentos desnecessários. O melhor exame para diagnosticar a rinossinusite é a nasofibroscopia que é uma endoscopia da fossa nasal, realizada no consultório, com anestesia local. O exame produz um mínimo desconforto para a criança e tem a vantagem sobre o raio-X de não submeter a criança ao efeito de radiações ionizantes.

Na infância, a rinossinusite pode ser recorrente e ser causada por:

Hipertrofia adenoideana: adenóide é um acúmulo de tecido linfóide, ou seja, tecido de defesa, que se localiza atrás das fossas nasais. Quando ocorre hipertrofia, aumento, produz obstrução das fossas nasais, dificultando a respiração. A criança começa a presentar roncos e distúrbio do sono.

É a causa mais comum de rinossinusite, o aumento das vegetações adenoides causa, além da obstrução nasal, acúmulo de secreções e bactérias no nariz e seios da face levando ao quadro de rinossinusite crônica. Na maioria das vezes, a remoção das adenoides é suficiente para resolução dos sintomas.

Rinite alérgica: é um processo inflamatórios da mucosa das fossas nasais e seios paranasais. Manifesta-se com obstrução nasal, secreção hialina, espirros e coceira nasal. A reação alérgica é uma reação exagerada do sistema imunológico em decorrência de inalantes, substâncias irritantes, para a mucosa nasal, como gases tóxicos, poluentes ambientais, poeira doméstica, entre outros. Em decorrência dessa reação alérgica, ocorre a liberação de substâncias como a histamina que produzem a reação inflamatória nas fossas nasais.

Os casos crônicos evoluem com hipertrofia de cornetos, que são “carnes esponjosas” que obstruem as fossas nasais. A criança pode apresentar roncos, obstrução nasal, respiração bucal e distúrbio do sono.

Alergia respiratória ou, mais raramente, alimentar podem causar ou piorar os sintomas de rinossinusite. A identificação das alergias e seu tratamento são fundamentais no controle da rinossinusite nas crianças.

Fibrose cística: doença genética em que há uma alteração no muco nasal, que se torna espesso. Além da sinusite, a criança apresenta desnutrição e pneumonias de repetição. Condição potencialmente grave e que requer diagnóstico e tratamento precoces.

Discinesia ciliar: doença genética em que os cílios que transportam o muco no nariz e seios paranasais não funcionam corretamente. Além da sinusite crônica, a criança também pode apresentar problemas pulmonares.

Imunodeficiências: vários tipos de deficiências de imunidade podem causar rinossinusite crônica, principalmente as deficiências de IgA e IgG. Muitas vezes os sintomas nasais são os primeiros a aparecer e podem ajudar no diagnóstico precoce que será fundamental para o tratamento exitoso destas crianças.